Draco sufoca braço financeiro da ‘Milícia do Varão’ em condomínio na Baixada Fluminense; PM da ativa integrava o esquema

Draco sufoca braço financeiro da ‘Milícia do Varão’ em condomínio na Baixada Fluminense; PM da ativa integrava o esquema

TESTE RONDA – RESUMO INTERCEPTADO

Uma força-tarefa liderada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (14), uma operação focada em desarticular os núcleos operacional e financeiro da organização paramilitar comandada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão. A ação policial mirou um esquema de extorsão sistemática contra moradores do Condomínio Jardim Guandu, localizado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Com o apoio da Corregedoria, equipes foram às ruas para cumprir dois mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão expedidos pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa.

A investigação conduzida pela Draco revelou que os criminosos não se limitavam a cobrar taxas nas ruas; eles tomaram o controle institucional do condomínio. De acordo com a delegada Luciana Fonseca, a milícia destituiu os administradores e síndicos regulares e colocou pessoas vinculadas ao grupo criminoso para gerir o complexo habitacional.

A estrutura funcionava de forma empresarial: havia uma divisão clara de tarefas, com fiscais dedicados a auditar quem estava em dia e repassar o dinheiro diretamente para a cúpula da milícia. A quadrilha fixou uma “taxa de segurança” obrigatória de R$ 70 mensais por apartamento. A estimativa oficial é que o esquema rendesse entre R$ 85 mil e R$ 100 mil por mês aos cofres do grupo.

As famílias que se recusavam ou atrasavam os pagamentos eram submetidas a severas ameaças de violência e, rotineiramente, expulsas de suas próprias casas. A polícia, inclusive, investiga o envolvimento da milícia na morte de um morador que foi expulso do condomínio no início do ano e cujo corpo foi encontrado dias depois no Rio Guandu.

Farda usada como instrumento de coação

Um dos principais alvos de mandado de busca e apreensão foi o segundo-sargento da Polícia Militar Carlos Luis Torres Correia, conhecido como “Carlão”. Segundo as apurações, o agente da ativa atuava diretamente na administração paralela e servia como ponto de intimidação aos moradores.

“Ele participava dos grupos de WhatsApp utilizados pela estrutura e marcava presença em reuniões. Os próprios síndicos indicados pela milícia mencionavam a necessidade da participação dele para dar peso às ordens e coagir os moradores”, explicou a delegada Luciana Fonseca. A investigação aponta que a quadrilha capitalizava em cima do temor gerado pela farda para garantir o silêncio e o fluxo das taxas.

O PM, que estava em serviço no 7º BPM (São Gonçalo), foi conduzido para prestar depoimento na Cidade da Polícia, onde alegou inocência. A defesa declarou que aguarda acesso integral aos autos do processo.

Foragidos e balanço das apreensões

Os dois alvos com ordens de prisão preventiva não foram localizados durante as incursões e passaram a ser considerados foragidos da Justiça:

  • Felipe Alves da Silva (o Felipinho ou Portugal): Apontado como homem de confiança de Juninho Varão e comandante operacional das cobranças de taxas. Sua esposa, Jéssica Dantas, já havia sido presa em março por organizar o recolhimento do dinheiro.
  • Marcos Francisco dos Prazeres Júnior (o MJ): Identificado como o executor direto das ameaças violentas e invasões a apartamentos de moradores inadimplentes.

Nos endereços vasculhados, os agentes apreenderam celulares, computadores e fardamentos. Dentro do perímetro habitacional, foi localizado um automóvel suspeito. No interior do veículo, a Draco encontrou um porrete (usado para espancamentos e coações) e um distintivo da Polícia Militar com suspeita de falsificação.

O material recolhido passará por perícia técnica eletrônica e documental para mapear outros possíveis agentes públicos e laranjas que sustentam o patrimônio financeiro do “Bonde do Varão” na região.

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