Piratas do asfalto: Prisão de ‘Júnior Baiano’ revela máfia institucionalizada de falsos táxis no Galeão

Piratas do asfalto: Prisão de ‘Júnior Baiano’ revela máfia institucionalizada de falsos táxis no Galeão

TESTE RONDA – RESUMO INTERCEPTADO

Uma investigação da Delegacia do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Dairj) culminou na prisão em flagrante de Anderson Silva de Oliveira, o “Júnior Baiano”, apontado como o principal “jóquei” — captador clandestino de passageiros — em atividade no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão). A ação policial joga luz sobre um esquema crônico de extorsão e ameaças que visa principalmente estrangeiros recém-desembarcados no terminal fluminense.

O estopim para a prisão foi o golpe aplicado contra uma família de turistas chilenos. Ao desembarcarem no Rio, as vítimas foram abordadas de forma insistente por Júnior Baiano, que prometeu um serviço de transporte seguro e credenciado até o hotel, na Zona Sul. No entanto, ao final de uma viagem de apenas 25 minutos, o motorista associado ao golpista cobrou o valor abusivo de R$ 450, exigindo o pagamento sob fortes ameaças psicológicas.

O modus operandi dos “jóqueis” e os táxis adulterados

As investigações da Dairj revelam que Júnior Baiano não agia sozinho. Ele liderava um braço de captação de uma verdadeira máfia dos táxis que opera nas saídas dos terminais de desembarque.

A estrutura criminosa funciona em três etapas:

  • A abordagem: O “jóquei” se passa por funcionário do aeroporto ou cooperativa, vestindo roupas formais para ludibriar o turista. Ele foca em estrangeiros ou brasileiros de outros estados com muitas malas.
  • A adulteração: O passageiro é direcionado a veículos convencionais ou táxis clonados que possuem “dispositivos fraude” (conhecidos como “tapa-bloco” ou “tarifa eletrônica adulterada”). Esses mecanismos alteram o pulso do taxímetro, fazendo o valor saltar de forma artificial a cada cem metros.
  • A coação: Caso o turista perceba o golpe e se recuse a pagar a quantia inflacionada, os criminosos mudam o tom. Eles travam as portas do veículo, ameaçam reter as bagagens no porta-malas ou intimidam a vítima afirmando que vão deixá-la em uma comunidade perigosa da cidade.

Conexões: A sombra da milícia nos acessos ao aeroporto

A prisão de Júnior Baiano não é um fato isolado e se conecta diretamente a um histórico de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público (MPRJ) sobre o controle das rotas de transporte no entorno da Ilha do Governador.

Historicamente, o Galeão e o aeroporto Santos Dumont enfrentam o problema das máfias de transporte. Delegados que já passaram pela Dairj apontam que esse tipo de atividade clandestina organizada paga propina (“pedágio”) para milicianos que controlam as comunidades vizinhas ao aeroporto, como o Complexo da Maré e áreas da Baixada Fluminense.

Em operações anteriores da Polícia Civil, como a Operação Conexão Galeão, descobriu-se que os captadores clandestinos mantêm uma rede de olheiros nas vias de acesso (Linha Vermelha e Avenida Brasil) para monitorar a chegada de viaturas e alertar os motoristas comparsas por aplicativos de mensagens. Além disso, o monitoramento por câmeras do aeroporto já identificou que o grupo de Júnior Baiano costumava intimidar e agredir fisicamente motoristas de aplicativo (como Uber e 99) e taxistas legalizados que tentavam alertar os turistas sobre o golpe.

O impacto no turismo e resposta das autoridades

De acordo com o Sindicato dos Taxistas do Rio de Janeiro, a atuação de piratas do asfalto como Júnior Baiano gera um prejuízo imensurável à imagem internacional da cidade. “O turista estrangeiro tem o seu primeiro contato com o Rio de Janeiro sendo extorquido. Muitos voltam traumatizados”, afirmou a entidade em nota técnica.

A concessionária RIOgaleão informou que colabora ativamente com as imagens de segurança para as investigações da Dairj e reforçou a orientação para que os passageiros utilizem apenas os balcões oficiais das cooperativas credenciadas localizados dentro do terminal de desembarque, ou solicitem transporte por aplicativos nas áreas devidamente sinalizadas.

Júnior Baiano responderá pelos crimes de extorsão, associação criminosa e crime contra a economia popular. A polícia agora busca identificar o motorista que realizou a corrida da família chilena e os outros integrantes da cooperativa de fachada.

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