PF prende vereador carioca no PR em ação contra braço financeiro de facção criminosa

PF prende vereador carioca no PR em ação contra braço financeiro de facção criminosa

TESTE RONDA – RESUMO INTERCEPTADO

LONDRINA (PR) – O vereador do Rio de Janeiro Fábio Silva Costa (Podemos) foi preso pela Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (19 de outubro de 2026), in Londrina, no Norte do Paraná. O parlamentar, que exerce seu primeiro mandato na Câmara Municipal carioca, foi localizado pelos agentes após publicar fotos nas redes sociais participando de um casamento na cidade paranaense.

A prisão preventiva foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Backbone. A ação mira o braço financeiro do Comando Vermelho (CV), que impôs um monopólio violento sobre os serviços de internet em grandes complexos de favelas do Rio, como o Alemão, a Penha e o Chapadão.

De viagem pelo Paraná acompanhado da esposa e do filho, Fábio Silva compartilhou registros da cerimônia e da viagem em seu perfil. O rastro digital permitiu que a PF de Londrina o localizasse rapidamente. Ele estava hospedado na casa de um amigo no bairro Jardim Quebec quando os agentes cumpriram o mandado de prisão.

Segundo as investigações da PF, Fábio Silva é apontado como proprietário e beneficiário oculto de empresas provedoras de internet que operavam sob a chancela da facção criminosa.

  • Sabotagem activa: Criminosos armados cortavam cabos e incendiavam caixas de distribuição de grandes operadoras licenciadas para impedir a concorrência.
  • Ameaça a técnicos: Técnicos de empresas tradicionais eram proibidos de entrar nas comunidades para fazer reparos.
  • Monopólio forçado: Moradores e comerciantes ficavam sem opção e eram obrigados a assinar os provedores ligados ao grupo.
  • Taxação do crime: Provedores formalizados que quisessem operar nas regiões mapeadas tinham que pagar uma “tarifa” mensal diretamente à cúpula do tráfico.

A PF estima que o monopólio da internet representasse mais de 40% do faturamento do Comando Vermelho no Complexo da Penha.

Eleito em 2024, Fábio Silva se apresenta publicamente como empresário, gestor comunitário e defensor da inclusão digital, devendo-se consultar as plataformas oficiais do Tribunal Superior Eleitoral para verificar a votação exata recebida pelo candidato. Em sua biografia oficial na Câmara, destaca-se sua atuação como embaixador do projeto social “Onda Carioca” no Complexo do Chapadão — justamente uma das áreas geográficas controladas pela facção e que estão no centro da investigação federal. Ao se candidatar, declarou um patrimônio de R$ 1,6 milhão à Justiça Eleitoral.

A Operação Backbone cumpre hoje dezenas de mandados. Entre os alvos capturados no Rio de Janeiro estão Márcia Gama e Lucas Santos Nepomuceno (mãe e irmão do cantor Oruam), além de uma nova ordem de prisão contra o próprio líder da facção, Marcinho VP, que já está detido em um presídio federal de segurança máxima.

O STF determinou o bloqueio de R$ 558 milhões em bens de 40 pessoas físicas e 42 empresas sob suspeita de lavagem de dinheiro por meio de produtoras de eventos, escritórios de contabilidade e empresas de fachada. A pedido da PF, a Anatel foi acionada para cassar as licenças das empresas criminosas, mas com ordens expressas para garantir que os moradores não fiquem desassistidos de sinal.

Em nota enviada à imprensa, a assessoria jurídica do vereador Fábio Silva declarou que “não teve acesso integral aos autos e se manifestará apenas após o conhecimento completo do processo”. O partido Podemos e a Câmara Municipal do Rio ainda não emitiram posicionamentos oficiais sobre a prisão de seu parlamentar.

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