Ex-governador do RJ teria recebido adega, mansão e caviar por favorecer refinaria

Ex-governador do RJ teria recebido adega, mansão e caviar por favorecer refinaria

Relatório da Polícia Federal indica que Cláudio Castro obteve vantagens indevidas em troca de ações do governo estaduais em favor da refinaria Refit. A defesa nega irregularidades e pede que o ex-governador seja ouvido pela PF.

Relatório da Polícia Federal aponta que o ex-governador Cláudio Castro teria recebido, entre outros benefícios, uma adega personalizada, o uso de uma casa em Petrópolis e uma degustação de caviar em São Paulo em troca de atuação do governo do Rio de Janeiro favorável à refinaria Refit; o sigilo da segunda fase da Operação Sem Refino foi levantado em 3 de setembro de 2026 pelo ministro Alexandre de Moraes.

Segundo o documento, as apurações serviram de base para o deferimento de 16 mandados de busca e apreensão. A Operação Sem Refino 2 foi deflagrada em 14 de agosto com o objetivo de investigar fraudes na concessão de licenças ambientais à refinaria.

A Polícia Federal relata que as licenças teriam sido concedidas à revelia de diretrizes técnicas e que o esquema incluía lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio por meio de registros de bens de luxo em nome de terceiros.

O relatório descreve mensagens extraídas de celulares apreendidos que, segundo os investigadores, mostram contato direto de Castro com responsáveis por licenças ambientais para agilizar liberações e prejudicar concorrentes do empresário Ricardo Magro, apontado como líder da organização; Magro teve prisão preventiva decretada e está foragido, incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.

Como exemplo de vantagem indevida, o documento aponta uma degustação de caviar cujo preço foi R$ 10,5 mil, paga pela empresa AC Santos Participações e Empreendimentos, de propriedade do advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, apelidado de “Pipo” e indicado pelos investigadores como articulador da ocultação de patrimônio.

O relatório também indica que Castro teria usufruído de uma casa em Petrópolis registrada em nome da Concrecasa Construções Inteligentes Ltda., cuja rotina dos empregados e a construção de uma adega personalizada teriam sido determinadas por ele. Além disso, aponta-se que a mansão seria uma compensação pelo favorecimento à Enge Prat Engenharia, cujo empresário Luiz Fernando Gomes assinou contratos de R$ 355 milhões com o estado.

Os investigadores destacam ainda que o ex-governador pagava R$ 10 mil pelo aluguel da cobertura onde reside na Barra da Tijuca, valor inferior ao praticado na região, citado em cerca de R$ 25 mil, e que o imóvel foi adquirido pela J3 Real Estate Participações Ltda. por R$ 3,4 milhões, 50 dias após a criação da pessoa jurídica.

A defesa de Cláudio Castro negou envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro ou recebimento de vantagem indevida, afirmou que os contratos de locação têm pagamentos comprováveis e que o imóvel de Petrópolis era alugado; sobre o caviar, a nota afirma que o episódio ocorreu mais de 30 dias após ele deixar o governo e que a encomenda foi feita por um amigo, com um dos produtos consumido com autorização do comprador.

A defesa informou ainda ter solicitado ao ministro Alexandre de Moraes que Castro seja ouvido pela Polícia Federal para apresentar documentação comprobatória; o pedido aguarda decisão. As investigações prosseguem.

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